Ver@cidade em nova temporada

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

Muda-se o ser, muda-se a...

Não, não vou permitir Camões continuar,

pelo menos não por aqui, na casa que estou a deixar

senão ele próprio me convencerá a ficar

por fazer confrontar o mal,  o bem e o espanto.

 

Além de tantos, ainda disse Aninha Mentiras Sinceras:

“Das estações: vocês verão

se Vera

ver

a cidade

assim:

tom de verdade.

Haverá veracidade”

 

Portanto 2ª temporada,

 

 Veracidade

(isso mesmo, mudei de blog, quer dizer, de endereço, clica aí)

 



Escrito por Vera às 09h57 PM
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Carta à Anna Maria Martins

 

Cara amiga Anna Maria,

 

Venho em primeiro agradecer-lhe pelo convite recebido para participar da cerimônia da Academia Paulista de Letras no dia 27/03/2008.

Que momentos prazerosos você me proporcionou!

Conhecer pessoalmente alguns acadêmicos, reconhecer outros, e brindar a chegada de Ruth Rocha na Academia provocaram em mim um sentimento de orgulho e pertencimento à história de nosso país. Isto porque, como muitas crianças brasileiras e até do mundo, construí a minha história passeando através da imaginação de alguns daqueles que estavam sentados naquela mesa e naquela platéia.

Quando, em seu discurso de acolhimento, se referiu aos acadêmicos que, como Ruth Rocha, se dedicaram à faixa etária infanto-juvenil, você acionou a minha memória com muita emoção. Ao citar Hernâni Donato, me fez lembrar os meus primeiros anos de escola, quando por evoluir na leitura, ganhei de minha querida professora Dona Rosa Innocenti, meu primeiro livro de muitas páginas, “Novas Aventuras de Pedro Malasartes”. Gostei tanto de ganhar e ler esse livro, que nem sei quantas vezes o reli. Guardo-o comigo até hoje como lembrança por ter sido a porta de entrada para tantos outros. Vieram Monteiro Lobato, José Lins do Rêgo, Érico Veríssimo, José de Alencar, Jorge Amado, Kalil Gibran e uma série infinita que hoje faz fila em meu criado-mudo.

Celebrar com Ruth Rocha sua posse na Academia Paulista de Letras levou-me a relembrar mais um pedaço de minha vida. Desta vez, eu como contadora de suas histórias, provocando meus alunos com seu humor, crítica, fantasia, magia, ternura e entusiasmo. Quando fui Orientadora de Sala de Leitura, conheci e espalhei seus encantos.

Por tudo isso só tenho a lhe dizer, muito obrigada Anna Maria!

                                                                                                                                                                           Vera

P.S. Espero que não se importe, não costumo fazer isto, mas espelhada em Ana Luíza, sua filha, que fez o que fez com as cartas do pai, publiquei esta carta em meu blog para compartilhar com meus amigos estes momentos, juntamente com um video que fiz durante a cerimônia.

                                        

Vídeo com o discurso de posse de Ruth Rocha da 38ª Cadeira da Academia Paulista de Letras, em 27 de março de 2008.

Anna Maria Martins, ocupante da cadeira nº 7 da Academia, está à direita de Ruth Rocha.

Ruth Rocha, de forma encantadora, fala da cultura em nosso país, da importância e papel das instituições culturais como a Academia Paulista de Letras. Relembra as lições que aprendeu com os acadêmicos, seus mestres e professores. Faz uma declaração de amor às crianças. Vale a pena assistir!

                                                                           Veja AINDA algumas fotos.

 



Escrito por Vera às 11h09 PM
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Nessa viagem, não poderia de deixar de citar e mostrar fotos dos lugares históricos do Maranhão, onde começou a cidade e da parte nova onde fiquei hospedada. Essas duas regiões  são separadas por um braço de mar e ligadas por uma ponte. O Centro Histórico de São Luis é o maior conjunto de casarões coloniais dos séculos 18 e 19 da América Latina. A cidade foi fundada em 1612 pelo francês Daniel de La Touche que queria criar a França equinocial. Foi invadida por holandeses e depois, colonizada por portugueses. Lá, se sobressaem casarões com fachadas revestidas em azulejos, escadarias, becos, ladeiras e ruas calçadas em pedras de cantaria. É chamada Cidade dos Azulejos e dos Sobradões e também conhecida como Atenas brasileira. Foi tombada pela UNESCO há 10 anos como Patrimônio da Humanidade, mas uma grande pena que muitas casas estão deterioradas, caindo. Uma parte mais nova compõe o Palácio dos Leões, residência e sede do governo do Maranhão. É a parte mais alta. De lá a vista da baia é estupenda, cuja maré sobe e desce durante o dia, cerca de 5 metros. Nunca vi uma diferença tão grande na subida e descida da maré. Isto é responsável por tão bela paisagem. Da janela do Museu do Bumba-meu-boi pude flagrar estes momentos. As fotos pegaram a maré baixa. Mais à tarde, o rachado que se vê nela enche de água.

Já a vista do mar, quando na cidade nova, traz os cargueiros de minérios da Companhia Vale esperando a vez para carregarem minério de ferro no porto. Eles ficam virados para um lado com a maré baixa e para o lado oposto com a maré alta. É impressionante como a maré consegue virar os enormes navios.

Entre as coisas da terra encontrei uma muito curiosa, o famoso “Guaraná Jesus”. É um guaraná cor-de-rosa, bem docinho. Achei que o sabor lembra groselha, mais cravo e canela. Dizem que a fórmula tem 17 ingredientes e que foram coletados na Amazônia.

O Guaraná Jesus foi criado em 1920 pelo farmacêutico Jesus Norberto Gomes, em São Luís. O refrigerante foi criado acidentalmente quando Jesus tentou sintetizar um remédio que estava em voga no momento com uma máquina de gaseificação importada.

São Luís bate um recorde, pois é a única cidade do planeta em que a Coca-cola não é o refrigerante que vende mais. Lá o rei de vendas é o Guaraná Jesus. Na praia, nos restaurantes e barzinhos, o que se vê nas mesas é a lata, a garrafa ou o pet do guaraná. A Coca-cola bem que tentou bater suas vendas e pelo fato de não ter conseguido, acabou comprando a marca. Mas ela não pode fazer dela o que quiser, pois antes os maranhenses conseguiram tombá-lo como patrimônio e hoje o Guaraná Jesus só pode ser comercializado no Maranhão.

 Na parte velha da cidade passear pelas ladeiras e becos foi muito agradável, pois além de conhecer um pedacinho da história apreciei o artesanato e as demais coisas da terra. O museu do Bumba-meu-boi tem um acervo riquíssimo e lindo.

À noite o passeio transforma-se. As histórias e o artesanato cedem lugar à música. Descobri que o som do Maranhão não é só reggae como a gente houve falar por aí. Há os ritmos do boi, do samba, do carnaval e tantos outros gêneros que são apresentados por grupos locais. Abaixo, filmei um grupo de chorinho numa noite super agradável, sob uma enorme mangueira. O show foi intercalado com chuvas rápidas e até divertidas.

                                                                              

 

 

 

 
 


Escrito por Vera às 06h22 PM
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Mais que um passeio, uma verdadeira viagem, pois navegar por esse rio enorme por tanto tempo, quatro horas pra ir, incluindo as paradas, e mais de duas pra voltar, demoveu qualquer idéia de uma rápida visitação a favor de uma busca de longo curso por terras e águas desconhecidas.

Esse rio, que nasce no interior do Estado, tem 120 km de extensão e avança em ziguezague delimitando, à sua direita, a Área de Proteção Ambiental dos Pequenos Lençóis, área de dunas mais modestas que as do Parque Nacional.

Pegamos um catamarã, aquele barco bem largo com duplo casco, que quase não balança, muito estável, da praça no centro de Barreirinhas e fomos até Caburé, vilarejo na foz, quando o rio encontra o mar. Pelo tempo que passamos navegando com tranqüilidade foi possível admirar muito a paisagem, fotografar e filmar. De sobra, muita conversa e animação, música e dança. Descobri que a música do Maranhão não é só o reggae, mas deste assunto falarei no próximo capítulo.

Na altura de Barreirinhas, a paisagem é dominada por uma vegetação alta e abundante, pontuada de palmeiras. As mais comuns são o buruti, a jussara (ou açaí) e a carnaúba. Aos poucos, o mangue toma conta das margens. O rio chega a alcançar uns 100 m de um extremo ao outro.

A primeira parada, logo depois da saída de Barreirinhas, foi em Vassouras, nos pequenos lençóis. Subimos as dunas e aproveitamos para tomar uma água de coco na barraca à beira-rio. Lá os macaquinhos se aproximam e em troca de coco ou outra fruta deixam a gente tirar uma foto. Gostei tanto de ver os bichinhos que até esqueci a febre amarela...

A próxima parada foi em Mandacaru, cuja maior atração é o imenso farol Preguiças, construído na década de 1940. Há uma vila de pescadores. E, lá de cima, a 35 metros de altura, depois de vencer nada menos que 160 degraus têm-se uma vista deslumbrante: o mar, as dunas dos pequenos lençóis, grande parte do rio e, ao fundo, a larga faixa de areia que limita a praia.

A última parada foi em Caburé, onde o rio se encontra com o mar. Há um povoado de pescadores numa península de areia entre o rio e o mar. A paisagem é belíssima. Só o vento que é violento, se não segurar bem o chapéu, adeus! Neste lugar comemos arroz de cuxá, prato maranhense muito famoso, que é composto por arroz, camarões e ervas acompanhado com pargo grelhado. Uma delícia!

Retornamos para Barreirinhas ao anoitecer, após uma boa chuva com vento, que molhou todo mundo.

 

 

Aqui, AINDA, um lamento poético com a Caipora.



Escrito por Vera às 09h07 PM
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A região dos Lençóis Maranhenses tornou-se Parque Nacional em 1981. Isso significa que deve ser preservado como patrimônio. Lá não se podem subir dunas com veículos, só a pé. São 155.000 hectares de dunas entrelaçadas por milhares de águas doces e cristalinas.

O portal de entrada dos Lençóis Maranhenses é a cidade de Barreirinhas, distante 272 Km da capital São Luís. Para chegar nessa cidade pegamos um ônibus enorme, tipo “nana nenê”, pois ele ia naquele balanço que parecia flutuar pela BR 135 e MA 402. A paisagem era formada pelos babaçus (palmeiras que parecem petecas), buritis (palmeiras em leque), choupanas e casas de pau-a-pique. De Barreirinhas para o Parque Nacional foi uma aventura e tanto no Toyota 4 X 4. Primeiro atravessamos o rio de balsa e depois seguimos no veículo pela estrada de areia e águas.

As dunas e lagoas são de uma beleza fenomenal. O deserto não é inóspito. As areias são frias, não queimam os pés. O vento é forte, mas caminhar pelas dunas em busca das lagoas é extremamente agradável.  Não vimos muitas lagoas, pois lá agora é inverno, só restam as lagoas permanentes. Os milhares de lagoas temporárias se formam no verão, época das chuvas, de abril a julho.

Os Lençóis Maranhenses concorrem a uma das sete maravilhas da natureza do mundo. Têm sua razão. Vejam...

                                   

 



Escrito por Vera às 11h00 PM
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Nada como umas férias com muita ação de vez em quando! Pura adrenalina minha viagem ao Maranhão! Antes de tudo a polêmica da febre amarela que quase amarelou meu passeio e entusiasmo, o que resolvi com a vacina dos 10 dias antes, que tomei no dia mesmo... No aeroporto o congestionamento monstro de gente e de aeronaves ia preparando o espírito para furar as  tremendas cumulus-nimbus, especialidade da atmosfera de São Paulo. Atravessar essas gigantescas nuvens sempre gera um medão, pelo menos em mim, que prefiro apreciá-las em terra firme. Por sorte o meu destino era a linha do equador, onde o tempo é sempre agradável. A chegada à ilha de São Luis foi tranqüila, com boa receptividade. Por lá fiz de tudo um pouco, desde aproveitar as praias, visitar lugares históricos, ver e comprar artesanato até passeios mais ousados como conhecer o sertão, navegar por vastos manguezais, encontrar macacos, caminhar subindo e descendo dunas incríveis e aventurar-me num Toyota tração 4 X 4 sobre as areias do caminho.  Como em todas as capitais e cidades brasileiras, a enorme distância entre as classes sociais também é muito evidente na terra do Sarney. Conheci palafitas e vi algo que pensei que não existisse mais, casas de pau-a-pique, aquelas famosas casas cujas fotos aparecem nas páginas dos livros de Ciências, mostrando onde moram os barbeiros, bichos transmissores da doença de Chagas.

Com a minha supermachine e a sua supermemória, haja fotos e vídeos! Vou espalhar neste cosmos os melhores registros, a começar pelos Lençóis Maranhenses, grande maravilha da natureza.

 

 

 

 

Para ver em tela cheia clique aqui e depois em full 



Escrito por Vera às 01h16 AM
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Escrito por Vera às 02h55 AM
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Receita de Ano Novo

Para você ganhar um belíssimo Ano Novo, cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,

Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido),

para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,

mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,

novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior)

novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,

mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha,

você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,

não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? passa telegramas?).

Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar de arrependido pelas besteiras consumadas,

nem parvamente acreditar que, por decreto da esperança,

a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa,

justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,

direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo, que mereça este nome,

você, meu caro, tem de merecê-lo,

tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,

mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.

 

Carlos Drummond de Andrade ("Discurso de Primavera & Algumas Sombras" - 1977)



Escrito por Vera às 06h23 PM
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